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Cicalfate+ da Avène e Cicaplast Baume B5 da La Roche-Posay lado a lado, com uma amostra da textura de cada creme

Cicaplast ou Cicalfate: qual escolher e para que serve cada um?

O Cicaplast Baume B5 da La Roche-Posay e o Cicalfate+ da Avène são dois cremes reparadores com a mesma missão: proteger a pele que acabou de cicatrizar de uma ferida ou de uma escoriação, e acalmar a pele irritada. A grande diferença está na formulação, e, consequentemente, na textura e acabamento que deixam a pele.

Como recebo muitas perguntas sobre estes dois, explico-te neste artigo em que é que diferem, quando é que um é melhor do que o outro, e qual é o terceiro creme que recomendo para pele com tendência oleosa (e que provavelmente não conheces!).

Se já sabes o que procuras, vê os cicatrizantes que selecionei para o abitat.

Para que servem o Cicaplast e o Cicalfate?

Tanto o Cicaplast como o Cicalfate+ são indicados para aplicar depois de uma ferida ou de uma escoriação ter fechado, e para acalmar a pele irritada, seca ou com comichão. Os dois fazem uma espécie de efeito penso: ficam à superfície e mantêm a pele protegida durante mais tempo do que um hidratante comum.

É de realçar que estes produtos não são adequados para colocar numa ferida que ainda está aberta (explico porquê nas perguntas frequentes, mais abaixo).

Quanto à forma de usar, é simples: aplica uma camada fina sobre a pele limpa, tantas vezes quantas a marca indica na embalagem.

Qual é a diferença entre o Cicaplast B5 e o Cicalfate+?

Textura do Cicalfate+ (à esquerda, mais espessa) e do Cicaplast Baume B5 (à direita, mais lisa e fácil de espalhar)

Apesar de as marcas lhes estarem constantemente a acrescentar ingredientes que os tornam cada vez mais parecidos, estes dois cremes continuam a ter diferenças importantes.

Cicalfate+: um "efeito penso" mais forte

No Cicalfate+, o efeito penso é mais notório. Não só por ser um creme mais viscoso e mais difícil de espalhar, mas também porque contém óxido de zinco: um pó branco e opaco, que não se dissolve e fica à superfície a proteger a pele. É, por exemplo, o ingrediente da tradicional pasta de água usada na muda da fralda. A fórmula tem ainda sais de cobre e de zinco e um ingrediente pós-biótico (um filtrado de fermentação da bactéria Aquaphilus dolomiae).

Cicaplast B5: proteção sem deixar rasto

Já o Cicaplast Baume B5 contém 5% de pantenol (pró-vitamina B5), o mesmo ingrediente de muitas pomadas da farmácia, e madecassósido, um composto da centelha asiática. Ao contrário do óxido de zinco, são ingredientes incolores, que se dissolvem completamente e não deixam rasto na pele.

E não estão lá por acaso. Num estudo, um creme com pantenol ajudou a pele irritada a recuperar a barreira mais depressa e a ficar menos vermelha do que o mesmo creme sem pantenol. Quanto à centelha asiática, o madecassósido e outros compostos desta planta são usados nos cosméticos para ajudar a reduzir a vermelhidão, porque têm ação anti-inflamatória e antioxidante.

Cicaplast ou Cicalfate: qual escolher?

Na prática, a escolha depende menos do tipo de pele e mais daquilo que precisas que o creme faça.

Escolhe o Cicalfate+ se precisas de uma película espessa e visível

Recomendo o Cicalfate+ quando pretendes um produto que forme uma película protetora espessa, isolante e visível. Por exemplo, numa ferida ou escoriação que cicatrizou recentemente e que queres garantir que fica coberta. Ou ainda para prevenir a fricção em zonas húmidas durante várias horas, como entre as coxas.

Escolhe o Cicaplast B5 se queres um acabamento leve

Por outro lado, se queres um creme de acabamento mais leve e menos visível, o Cicaplast B5 será mais indicado. É o que faz mais sentido:

  • em feridas em cicatrização, quando não precisas de as ver cobertas;
  • como hidratante para pele seca ou irritada, em zonas com comichão;
  • em grandes áreas, onde um creme espesso seria difícil de espalhar;
  • depois de um procedimento estético.

Além disso, o Cicaplast tem indicação para os lábios gretados. Se o queres levar na mala, existe também o Cicaplast bálsamo labial, em bisnaga. E, para as mãos que gretam com o frio e com as lavagens, a Avène tem uma versão do Cicalfate própria para esta zona:

Se preferires ver as diferenças entre os dois cremes, também as expliquei em vídeo:

E para o rosto com pele oleosa? O Cicapost da ISDIN

Mas há um terceiro creme reparador, menos falado, que eu recomendo muito em pele com tendência oleosa: o Cicapost da ISDIN. A textura é bastante mais leve do que a de qualquer um dos outros dois, por isso é fácil de espalhar e de aplicar em camada fina.

Na fórmula, junta pantenol, niacinamida, vitamina E e três compostos da centelha asiática (o asiaticósido, o ácido asiático e o ácido madecássico), da mesma família do madecassósido do Cicaplast. Por isso, é a minha sugestão, por exemplo, para ajudar a pele a tolerar melhor os retinoides na fase de adaptação. Se estás nessa fase, vê também o meu guia para começar a usar retinol sem irritar a pele.

Para comparares os três cremes de que falo neste artigo:

Produto O que o distingue Textura e acabamento Para quem
Avène Cicalfate+ creme Óxido de zinco, sais de cobre e de zinco Creme espesso e viscoso; deixa uma película branca visível Pele que cicatrizou recentemente e que queres manter coberta; zonas com fricção e humidade. Indicado para pele sensível
La Roche-Posay Cicaplast Baume B5 5% de pantenol e madecassósido Bálsamo fácil de espalhar, sem cor visível Pele em cicatrização, seca ou irritada, com comichão, em pequenas ou grandes áreas; lábios gretados. Indicado para pele sensível
ISDIN Cicapost creme Pantenol, niacinamida, vitamina E e três compostos da centelha asiática Creme leve, que se aplica em camada fina Pele em cicatrização, seca ou irritada, com comichão, em pequenas ou grandes áreas. Pele com tendência oleosa, por exemplo na fase de adaptação aos retinoides.

E tu, qual destes três preferes? Partilha a tua avaliação na página do produto, com a comunidade do abitat!

Perguntas frequentes

Posso pôr Cicalfate ou Cicaplast numa ferida aberta?

Não. Os cosméticos só devem ser aplicados depois de a ferida fechar. Se a ferida é profunda, não fecha, ou fica quente, inchada ou com pus, deves mostrá-la a um/a enfermeiro/a.

O Cicaplast e o Cicalfate ajudam nas cicatrizes?

São indicados para a fase em que a pele acabou de cicatrizar e ainda está frágil, e é aí que fazem sentido. Se tens uma cicatriz já antiga, saliente, que repuxa ou que te incomoda, fala com um/a dermatologista.

Posso usar o Cicaplast ou o Cicalfate no bebé?

Sim. As marcas indicam ambos os produtos para toda a família, incluindo recém-nascidos, e ambos podem ser usados na zona da fralda. Se a vermelhidão não melhorar, ou se aparecerem feridas ou bolhas, segue a indicação do/a pediatra.

Posso usar estes cremes na gravidez e na amamentação?

Sim. Nem o Cicaplast, nem o Cicalfate+, nem o Cicapost contêm ingredientes que sejam frequentemente desaconselhados na gravidez ou na amamentação.

Em resumo

  • O Cicaplast B5 e o Cicalfate+ são cremes reparadores para a pele que acabou de cicatrizar ou que está irritada, e não se aplicam em feridas abertas.
  • O Cicalfate+ tem óxido de zinco: escolhe-o quando queres uma película espessa, que mantenha a pele coberta ou proteja zonas com fricção e humidade.
  • O Cicaplast B5 tem pantenol e madecassósido, espalha-se bem e não deixa rasto: é o mais versátil, também para grandes áreas e lábios gretados.
  • Em pele do rosto com tendência oleosa, o Cicapost da ISDIN é a opção mais leve.

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Fontes consultadas

  1. Buckley, D. A. (2024). Principles of topical therapy. In C. E. M. Griffiths, J. N. W. N. Barker, T. O. Bleiker, S. W. Hussain, & R. C. Simpson (Eds.), Rook's textbook of dermatology (10th ed., Chapter 18). Wiley. https://doi.org/10.1002/9781119709268
  2. Draelos, Z. D., & Draelos, M. M. (2026). Cosmetics in dermatology: A problem-based approach (4th ed.). CRC Press. https://doi.org/10.1201/9781003471424
  3. Proksch, E., & Nissen, H. P. (2002). Dexpanthenol enhances skin barrier repair and reduces inflammation after sodium lauryl sulphate-induced irritation. Journal of Dermatological Treatment, 13(4), 173–178. https://doi.org/10.1080/09546630212345674
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